Começou a trabalhar aos 10 anos como empregada doméstica. Tornou-se operária 3 anos depois, na linha de montagem de uma fábrica de discos de vinil, e, em seguida, em fábricas de alto-falantes e de cortinas. Cursou datilografia, passou a atuar em uma microempresa e, depois, em uma escola de moda.
Quando sua filha nasceu, com deficiência congênita, passou a se dedicar integralmente a ela. Mais tarde, estudou Arte-Educação, Canto e Teatro. Foi professora de Iniciação Musical e Teatro e passou a cantar em teatros e bares. Com a pandemia, reinventou-se: tornou-se trancista, atendendo tanto no salão quanto em residências. Entende que trata-se de uma arte minuciosa e gratificante, ligada à sua ancestralidade. Sônia destaca que é necessário muito empenho: por vezes, um cabelo pode levar até 10 horas para ser finalizado.
Ao fazer cursos sobre o assunto, descobriu diferentes tipos de tranças e seus significados – enraizadas, box braids, boxeadora, tiaras, embutidas, coroas e nagô, esta que simboliza a resistência negra.
Considera que esse penteado se tornou aceito socialmente, desobrigando as mulheres negras a alisar o cabelo. Gosta de ter à mão materiais de cores e texturas diversos para usar nos cabelos de suas clientes.
Sônia se reinventou diversas vezes. Hoje, como trancista, alia os saberes ancestrais, com seus significados perenes, a uma estética contemporânea que ressalta a beleza humana.
