63 anos
Química e professora universitária
São José dos Campos, SP
Nasceu em Araraquara, onde se tornou bacharel em Química. Ali se apaixonou por polímeros e decidiu fazer seu mestrado sobre o tema. Ingressou como química em uma cooperativa, controlando a qualidade do açúcar e do álcool. Na época, há 40 anos, já trabalhavam com biomassa e recuperação de rejeitos agrícolas, algo que só se disseminou bem depois.
Como seu futuro marido trabalhava como Técnico Aeroespacial em São José dos Campos, decidiu prestar o processo seletivo na mesma localidade. Lá estavam à procura de especialista em sua área de atuação. Esse foi o início de uma nova trajetória, que duraria 30 anos. Na instituição, trabalhou com rejeito da indústria de celulose, transformando-a em peças para foguetes. O material produzido também era cedido para São Carlos, onde era aplicado em carros elétricos.
Fez seu doutorado em Engenharia na área de Materiais Carbonosos. Alguns produtos de sua tese foram as válvulas cardíacas – pela primeira vez produzidas no Brasil –, além de projetos de estruturas para aviões!
Aposentou-se e, mais uma vez, reinventou-se. Hoje dá aulas para a pós-graduação como professora voluntária. Junto aos alunos, tem trabalhado com o desenvolvimento de materiais carbonosos para a despoluição da água.
Avalia que o futuro das profissões será voltado à tecnologia da informação e ao meio ambiente. Aos químicos caberá o desafio de transformar o descarte de empresas em um novo produto, de modo a reduzir impactos ambientais.
Com uma trajetória inventiva e pioneira, Mirabel inspira mulheres que até hoje vivem as dificuldades de inserção no campo da tecnologia e mostra que ciência e criatividade andam de mãos dadas.
