EVLYN MÁRCIA LEÃO DE MORAES NOVO

69 anos

Geógrafa

São José dos Campos, SP

A carreira de Evlyn abriu caminhos para a pesquisa no Brasil. Nascida em Jales, passou a infância e a juventude em Rio Claro, onde fez graduação em Geografia. Em 1973, ingressou no mestrado em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Com acesso aos dados do primeiro satélite de observação terrestre da NASA, iniciou uma pesquisa inaugural de mapeamento das áreas de desflorestamento da Amazônia.

Na equipe do projeto, Evlyn era a única mulher. Sem GPS ou imagens digitais, o processo era artesanal. Era necessário sobrevoar a região para identificar áreas de clareira. Depois, seguiam para o local desmatado para medi-lo com o hodômetro do próprio carro e verificar se correspondia às imagens fornecidas pelo satélite.

O país vivia uma ditadura militar e os dados da pesquisa – financiada pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) – não podiam ser divulgados. Decidiu então mudar de campo e ir pesquisar formas de inferir a composição da água por meio de imagens. Fez pós-doutorado sobre o tema na Inglaterra, tendo estudado os lagos da planície amazônica. Depois disso, montou a primeira estrutura para formar pessoas nesse campo. Nascia o Laboratório de Instrumentação de Sistemas Aquáticos (LabISA), do INPE. Hoje, por meio de sensoriamento remoto, Evlyn pesquisa como o desmatamento da Floresta Amazônica afeta a biodiversidade aquática.

Servidora há 48 anos, continua na ativa. Com equipe reduzida e cortes de verba, o LabISA segue dependendo dela para não fechar.

Perseverança, compromisso e dedicação são marcas de Evlyn, que teve em Fernando Pessoa inspiração para sua trajetória: “Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive”.

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